Ciência cidadã em um bioma ameaçado: uma perspectiva para a Mata Atlântica brasileira
DOI:
https://doi.org/10.70525/2024.21Palavras-chave:
Biodiversidade, Dados coletados por voluntários, Espécies ameaçadas, INaturalist, Pesquisa em larga escala, Pesquisa participativaResumo
A ciência cidadã levou a pesquisa da biodiversidade para a era do big data, uma vez que dados sobre ocorrência de espécies compartilhados em plataformas online são uma fonte promissora de informações para estudos ecológicos em larga escala, como aqueles aplicados à biomas. Estudos em escalas espaciais mais amplas são fundamentais para a tomada de decisões. Desta forma, no presente trabalho avaliamos a contribuição dos usuários do iNaturalist para entender até que ponto a ciência cidadã está contribuindo para o conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica brasileira. Fornecemos aqui uma análise quantitativa dos padrões temporais e espaciais no conjunto de dados do iNaturalist, incluindo uma ênfase particular em espécies globalmente ameaçadas e quase ameaçadas. Obtivemos um banco de dados bruto com 877.301 observações para o bioma até fevereiro de 2023. Os insetos representaram
49,7% das observações, enquanto os peixes de nadadeiras raiadas representaram apenas 0,2%. Encontramos lacunas espaciais principalmente no Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA) e nas florestas do Alto Paraná. O conjunto de dados incluiu 15.048 espécies não marinhas com base em observações de “nível pesquisa”, o que representou mais da metade das espécies estimadas para ocorrer na Mata Atlântica. Curvas de rarefação e mapas de riqueza de espécies mostraram amostragem insuficiente para a maioria dos táxons e baixa representatividade espacial das espécies. Uma maior representatividade
de observações de áreas remotas e, em particular, de áreas protegidas mais distantes dos centros urbanos, poderiam contribuir bastante para redução das lacunas espaciais no banco de dados. Apesar dessas deficiências, a ciência cidadã conseguiu uma contribuição espetacular e espera-se que no futuro se torne a principal fonte de dados de biodiversidade na Mata Atlântica e em outros biomas ameaçados.

