Editorial Ecossistemas abertos na Mata Atlântica

Autores

  • Danilo Pacheco Cordeiro Instituto Nacional da Mata Atlântica image/svg+xml Autor
  • Pedro Lage Viana Instituto Nacional da Mata Atlântica image/svg+xml Autor

DOI:

https://doi.org/10.70525/2025.35

Palavras-chave:

Editorial, Mata Atlântica, Ecossistemas abertos

Resumo

A Mata Atlântica é reconhecida como um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do mundo, porém sua compreensão e conservação historicamente estiveram centradas quase exclusivamente nas formações florestais. Essa perspectiva reducionista contribuiu para a invisibilização de uma ampla diversidade de ecossistemas abertos — como campos de altitude, campos rupestres, restingas e inselbergs — que desempenham papéis fundamentais na manutenção da biodiversidade, no funcionamento ecológico e na história evolutiva do bioma. Esses ambientes apresentam altos níveis de endemismo, processos ecológicos singulares e grande relevância paleoambiental, mas permanecem severamente ameaçados, sobretudo em razão da negligência histórica das políticas públicas de conservação.

O volume especial do Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão – Série INMA, intitulado “Ecossistemas abertos na Mata Atlântica”, reúne sete artigos que abordam, sob diferentes perspectivas conceituais, metodológicas e aplicadas, a diversidade, a relevância e os desafios associados à conservação desses ambientes. Os trabalhos iniciais oferecem bases históricas, geoambientais e cartográficas para a compreensão da distribuição e da complexidade dos ecossistemas abertos, incluindo propostas inovadoras, como o reconhecimento de um Complexo Rupestre Brasileiro como bioma próprio. Outros artigos exploram dimensões funcionais, como as interações planta–polinizador, estudos de caso emblemáticos — a exemplo da Serra do Padre Ângelo —, além de sínteses sobre inselbergs e restingas, destacando suas singularidades, ameaças e lacunas de conhecimento.

O volume se encerra com uma análise crítica da proteção legal desses ecossistemas, reforçando que não se tratam de estágios sucessionais florestais, mas de centros de diversidade mantidos por processos específicos. Em conjunto, os artigos evidenciam a urgência de estratégias de conservação mais integradas, inclusivas e fundamentadas cientificamente para assegurar o futuro dos ecossistemas abertos da Mata Atlântica.

Publicado

31-12-2025

Como Citar

Cordeiro, D. P., & Viana, P. L. (2025). Editorial Ecossistemas abertos na Mata Atlântica. Boletim Do Museu De Biologia Mello Leitão, 2(2), 11-13. https://doi.org/10.70525/2025.35